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Bilinguismo para crianças

Bilinguismo para crianças: Escolas bilíngues, internacionais e cursos de idiomas iniciam muito cedo os estudos do segundo idioma com as crianças — aos três anos ou até menos.

Uma boa parte de neurocientistas, pedagogos, educadores e pesquisadores considera negativo esse começo precoce.

O ser humano nasce com potencial para aprender qualquer língua e, dependendo do contexto em que se insere, pode tornar-se bilíngue desde muito cedo.

Dados indicam que mais da metade da população mundial é bilíngue, então o bilinguismo, ao invés de ser a exceção, é a regra na maior parte do mundo.

Não existe idade ideal para iniciar a aquisição de uma segunda língua, mas o fato comprovado cientificamente é que, seja em que momento for, o bilinguismo traz inúmeros benefícios cognitivos, sociais, culturais e econômicos.

O medo de expor as crianças pequenas a uma segunda língua geralmente está associado à dificuldade que alguns adultos tiveram em seu próprio percurso de aprendizagem de línguas, não à capacidade da criança de lidar com a complexidade de contextos bilíngues.

Bilinguismo para crianças, como funciona para o cérebro

Sabemos muito pouco sobre como o cérebro funciona, mas temos descoberto mais e mais a cada dia. A capacidade do ser humano de se desenvolver em mais de uma língua já tem sido comprovada inúmeras vezes.

A questão que realmente importa não é se a criança está preparada para essa exposição — mesmo porque sabe-se hoje que ela está —, mas sim como essa exposição será feita.

E sobrecarga, se houver, não será em função da exposição a mais de uma língua, mas sim em função de metodologias inadequadas de professores ou cobranças excessivas da família.

A formação de professores e as ferramentas engajadas nesse aprendizado  são a chave para o sucesso da educação bilíngue, e a comunicação aberta com a família é essencial nesse processo.

Qual é o momento para a criança aprender?

 A questão, então, não seria quando, mas como ensinar, o tempo é circunstancial. O mais importante é que as oportunidades de aprendizagem sejam construídas de acordo com o perfil do aprendiz, seja qual for sua idade, respeitando suas necessidades e interesses.

Com crianças pequenas, a brincadeira é a forma de aprender e compreender o mundo. Com crianças maiores, a investigação, o jogo e a interação com seus pares são essenciais.

Com adolescentes, seus interesses e sonhos são bons pontos de partida. E com adultos, suas necessidades e planos pessoais e profissionais são bons motivadores.

O ideal é que os educadores estejam preparados para conhecer essas realidades e atuar sobre cada uma delas de forma planejada e bem embasada teoricamente.

O ensino de línguas, bem como o de qualquer outra área de conhecimento, deve ser prazeroso, significativo e desafiador, respeitando a individualidade de cada criança. Não deve haver o peso da obrigação, pois isso é o que poderia gerar bloqueios no aprendizado.

Consequências naturais do Bilinguismo para crianças

Quando feita com qualidade, a educação bilíngue, além de favorecer a proficiência em duas ou mais línguas, desenvolve a flexibilidade cognitiva, a sensibilidade comunicativa, a apreciação por outras culturas e o conhecimento acadêmico em todas as áreas.

Dá aos alunos a oportunidade de se comunicar com um número muito maior de pessoas e, assim, ter sua voz e visão visibilizadas. Pode contribuir com a empregabilidade e com a colocação profissional ou acadêmica em outros países.

O bilinguismo é, comprovadamente, uma das habilidades essenciais aos cidadãos do século 21.

Não há desvantagens intrínsecas à educação bilíngue, da mesma forma como não há desvantagens sobre o ensino de matemática, ou ciências.

Mas pode haver em relação à forma como essa educação for feita, caso os professores não sejam bem formados, o currículo não seja bem desenvolvido e a avaliação não seja coerente e integrada, da mesma forma como pode ocorrer com uma educação monolíngue. O desafio, na verdade, é a qualidade do ensino.

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